Helena Roseta, vereadora da Habitação na Câmara de Lisboa, defendeu ontem a existência de um "plano de recuperação" para o Bairro da Liberdade, que abranja os terrenos deixados livres pelas demolições em curso na escarpa que corre o risco de derrocada. Roseta entende que, além do plano de emergência, é necessário intervir mais fundo naquele espaço.
A responsável visitou ontem, de novo, o local e, no final, constatou que o bairro precisa de um "plano de recuperação". Nesse sentido, garantiu que irá articular a sua intervenção com o Departamento de Planeamento Urbanístico da autarquia.
A obrigação de delinear um plano de recuperação, sublinhou, deve-se ao facto de existirem "muitos terrenos, inclusivamente municipais, que já estão livres". "A câmara tem a necessidade de planear para aqui equipamentos que fazem falta ao bairro", sustentou. Acompanhada do vereador da Protecção Civil, Manuel de Brito (PS), Roseta percorreu a zona que ameaça ruir, tendo concluído que a área com a qual o município se deve preocupar terá de ser alargada. Por isso, as demolições poderão abranger "mais sete ou oito" edifícios. "É uma espécie de puzzle e algumas peças estão de tal forma encaixadas que, se lhe mexermos, cai tudo", justificou.
Actualmente, está em causa a demolição de habitações ocupadas por 53 famílias. Estas serão realojadas fora do bairro, devido à falta de oferta adequada naquele sítio.
Na zona em risco de derrocada, entre a Rua de Inácio Pardelha Sanches e a Rua B, "as situações são muito diferentes", com "casas quase abarracadas e outras com mais qualidade". Na segunda-feira, a autarquia tomou posse administrativa destas casas, muitas delas feitas de anexos sem habitabilidade e de legalização impossível. Roseta promete apresentar uma proposta de suspensão do Plano Director Municipal, para impedir a construção e reservar a área como espaço verde. PÚBLICO/Lusa






