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Primeiras famílias no Bairro da Liberdade foram realojadas
(2009-12-04; Fonte: Jornal de Notícias; Autor: Cristiano Pereira)

As primeiras famílias com casas em risco no Bairro da Liberdade, em Lisboa, receberam ontem as chaves das novas casas, no âmbito do processo de realojamento dos moradores de uma área com problemas estruturais.

Deu-se mais um passo no processo de realojamento das cerca de 50 famílias que nos últimos anos viveram em perigo de derrocada numa escarpa do Bairro da Liberdade: ontem, ao final da manhã, seis famílias receberam as chaves de novas casas. A entrega das restantes casas vai prosseguir nos próximos dias.

"Temos todos uma responsabilidade colectiva uns com os outros que é de prevenir os riscos e evitar que as pessoas corram mais riscos", apontou o presidente da Câmara, António Costa, minutos antes da entrega das chaves.

"Até ao Natal, vamos ter muitas mais famílias a assinar contratos", revelou, por seu turno, a vereadora Helena Roseta, do pelouro da Habitação, recordando que está em curso o processo de procura e selecção de casas que a Câmara alugará aos proprietários para subalugar aos moradores que saem do Bairro da Liberdade.

Face ao perigo de derrocada, Roseta quer resolver o problema com o máximo de brevidade possível. Todavia, nem tudo é fácil. "Poderá haver um grupo muito pequeno de casos que vão demorar mais tempo a resolver", disse, citando exemplos como o de uma família que se recusa a sair de um anexo em ruínas para um apartamento só porque este não tem garagem. "Procuramos atender os casos dentro dos limites da razoabilidade", apontou, explicando que todo o processamento "também depende da vontade das famílias".

As novas casas que estão a ser entregues situam-se em várias zonas de Lisboa, mas Roseta garante que "sempre que possível estamos a colocar os vizinhos próximos uns dos outros".

Maria Antunes Domingos, de 84 anos, sai agora do Bairro da Liberdade para uma casa na Ajuda. Ontem, recebeu, sorridente, a chave das mãos de António Costa e de Helena Roseta.

"Estamos muito contentes", confessou, ao JN, Mário Domingos, o filho da idosa que vivia há 48 anos naquela escarpa perigosa. "Aquilo podia desabar de um momento para o outro, e quando fui alertado pelos serviços camarários, peguei na minha mãe e levei-a para minha casa". "Ao princípio, com a confusão da mudança, foi um abalo para ela", relatou, "mas agora já está mais contente".


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